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PF prende médico acusado de financiar pornografia infantil

Médico preso em rede internacional de pedofilia

Momento em que o médico terminou seu depoimento na noite de ontem e foi conduzido à penitenciária

Polícia Federal prendeu ontem em Uberaba um médico, de 29 anos, suspeito de compartilhar e financiar a produção de material pornográfico infantil. A prisão aconteceu na Unidade de Pronto-Atendimento do Parque do Mirante, em operação da PF denominada “Mr. Hyde”.

De acordo com o delegado da Polícia Federal lotado na Unidade de Repressão aos Crimes de Ódio e Pornografia Infantil e coordenador da operação, Pablo Barcelos, a investigação teve início em abril, a partir de informações enviadas pela polícia australiana. Trata-se do desdobramento de uma operação policial realizada nas Filipinas, que prendeu um casal – um australiano e uma filipina – que produzia material de pornografia infantil, financiado por várias pessoas, entre eles um médico brasileiro, H.C.O. “A partir desta informação, iniciamos a investigação e, de fato, confirmamos que esse médico financiava e recebia estes vídeos. Durante dois ou três anos apoiou financeiramente este casal”, explica o delegado.

Informalmente, o médico confirmou toda a situação e alegou ser uma pessoa doente e que não consegue se controlar, apesar de ter a percepção de que está fazendo algo errado. Por outro lado, segundo o delegado, o médico nega que tenha abusado diretamente de crianças. Nas conversas que tinha com o australiano e com a filipina, na chamada “deep web” – uma parte da internet que somente pode ser acessada com a utilização de software específico que permite a navegação de forma anônima –, ele se apresentava como sócio na produção desses vídeos. “Até o momento não temos provas ou indícios concretos de que ele tenha abusado de criança em Uberaba. Mas se alguma família perceber que algo pode ter acontecido, deve buscar a PF”, explica.

O trecho de uma conversa, repassada pela PF, do médico pelo site “deep web”: “Vou te deixar com um pouco de ciúmes. Não é muito minha preferência, mas eu tenho acesso a bebês recém-nascidos e com poucos dias de idade todos os dias. Eu trabalho em um hospital e esse mês estou na pediatria”. A conversa aconteceu no dia 26 de outubro de 2012.

Além da prisão do médico, foram apreendidos computadores, onde a polícia identificou a existência do material produzido pelo australiano. Segundo a PF, o médico teria orientado os “produtores” dos vídeos sobre medicamentos que poderiam ser usados para dopar as crianças. “Ele orientou sobre como obter os remédios e dopar as crianças”, afirma.

A partir da prisão, segundo o delegado PF, serão desencadeadas ações para a identificação de outros envolvidos que tenham compartilhado esse vídeo ou de alguma forma participado do grupo que produzia o material. O médico deve responder pelo armazenamento e publicação de pornografia infantil, bem como pelo financiamento de organização criminosa internacional, crimes cujas penas podem variar de sete a 20 anos de prisão. Ele será indiciado pelo crime de compartilhamento e participação na produção de pornografia infantil e financiamento de organização criminosa internacional, que produzia o material. O depoimento do acusado terminou somente na noite de ontem.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Pró-Saúde informou que o médico já atuava naquela UPA antes da organização social assumir a gestão da unidade, em 1º de janeiro de 2015, e deixa claro que ele era atendente da clínica médica adulto, sendo que nunca realizou atendimento na pediatria.

A Delegacia do Conselho Regional de Medicina em Uberaba ainda não se posicionou pelo fato de ainda não ter sido notificada.

Fonte: Jornal da Manhã

   
 
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