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O Dia Internacional da Mulher é
celebrado a
8 de
Março. É um dia comemorativo para a celebração
dos feitos
económicos,
políticos e
sociais alcançados pela
mulher, é o que todos os meios de comunicação nos
relembram todos os anos.
A ideia da existência de um dia
internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada
do
século XX, durante o rápido processo de
industrialização e expansão econômica que levou aos
protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres
empregadas em fábricas de vestuário e indústria textil foram
protagonistas de um desses protestos em 8 de março de 1857
em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de
trabalho e reduzidos salários.
Existem outros acontecimentos como, o
incendio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também
aconteceu em
Nova
Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146
trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras
durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas(
na minha opinião esta é a versão verdadeira).
Em 1975 designado como o Ano
Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas –
ONU começou a patrocinar o Dia Internacional da mulher na
data de 8 de março, como é até hoje in memoriam as
146 trabalhadoras queimadas.
É isso? Acabou e não é preciso mais
nada? Conquistamos tudo e não precisam mais lutar? Não!
Claro que não. Existem muitas outras conquistas como mudar a
histórica diferença salarial (mulheres recebem cerca de 40%
menos do que homens em um mesmo cargo), acesso a cargos
públicos, já que existem poucas deputadas, pouquíssimas
senadoras e nenhuma presidente (considerem que somos 57% da
população, ou seja, a maioria), diminuição da violência:
estupros (que, como se não bastasse o crime em si, as
agredidas ainda passam por humilhações em delegacias),
esposas agredidas por animais acéfalos e com uma latente
homossexualidade reprimida (veja: nada, absolutamente nada,
contra gays, eu acredito que cada um deve ser feliz da forma
como melhor lhe convir e não me cabe a dizer como esta forma
se dará, só tenho contra os que são covardes para
assumirem-se e descontam essa frustração em uma mulher). Tem
muito mais: acabar com essa tentativa de transformá-nos em
objeto (vulgarização, mulheres mostradas como utensílios ou
como pedaços de carne para consumo nas TV’s – como já
disseram: temos TV a cabo e TV a rabo -, assim como em peças
publicitárias, alguns grupos de axé/ funk/ pagode – cada um
gosta da música que quiser, mas não é necessário expor as
mulheres da forma como são expostas), entre outras lutas.
Há poucos anos a Kaiser fez um comercial que dizia que eles
haviam feito uma pesquisa sobre “quais eram as ‘coisas’ que
o brasileiro queria ver em comerciais de cerveja”. Mulheres
ganharam com X% (não lembro os números), extraterrestres
ficaram com Y%, animais ficaram com Z% e não sei mais o que
ficou em último. Muitas mulheres e alguns homens ficaram
indignados e enviaram vários e-mails para a cervejaria e
para a agência publicitária por colocarem a mulher como
“coisa”, e o comercial saiu do ar em pouco mais do que uma
semana.
Não me
lembro do ano nem edição, mas me lembro da minha indignação
com uma reportagem na revista Nova da editora Abril. A
reportagem tinha o seguinte título “Dez coisas para você
(referindo-se às leitoras da revista) fazer para não perder
seu homem”. Dentre as preciosidades que a revista, dita
feminina, aconselhava a fazerem estavam alguns absurdos.
Sinceramente não vou reproduzir aqui quais eram, porém havia
um conselho que achei curioso: levar café na cama todos os
dias (café na cama é muito bom, mas todos os dias? E porque
só a mulher deveria fazer isso?), deveriam mudar o título
para “Dez coisas para você fazer para não perder seu
patrão”.
Por um
acaso vocês (homens e mulheres) sabem que em alguns casos de
estupro a defesa do criminoso usa como argumento algo que já
fez parte das leis vigentes: a roupa que a vítima estava
usando na ocasião do crime? Sim, dependendo da roupa da
vítima (se for considerada “provocante”), ela deve ter
merecido ser estuprada! Um absurdo. A roupa da mulher dá o
direito ao homem de estuprá-la? Onde estamos? Estamos no
país que tem um famoso “eterno” candidato responsável por
uma das frases mais delicadas da política brasileira:
“Estupra, mas não mata”. Só faltará incluir nas leis que um
homem munido com seu tacape último modelo poderá caçar uma
mulher golpeando-a na cabeça e arrastando-a até a sua
caverna (própria quitada, financiada, ou alugada). Caso se
institua uma lei tão moderna como esta, espero que
complementem com um “iabadabadúúúú” no final...
Para
encerrar, porque existe um dia no ano dedicado a mulher?E
nenhum dia internacional dos homens? Porque existe O Dia da
Consciência Negra?E nenhum dia da consciência branca? Lapso?
Machismo?Não sei dizer ao certo.
Nada mais
merecido sermos reconhecidas, pois temos que trabalhar, não
esquecendo que nos é exigido estarmos sempre lindas,
maquiadas, de salto alto e desempenharmos nossas funções
igual ou melhor que os homens ainda sermos donas de casa e
mães atenciosas!
Não vou
negar que não seja maravilhoso receber parabéns, abraços e
até presentes por sermos as guerreiras fabulosas e únicas
que somos, mais isso deve ser feito todos os dias, não em um
só.
Não
precisamos do reconhecimento e atenção do mundo todo,
conhecido e desconhecidos, basta o reconhecimento daqueles
que nos amam; precisamos de amor, carinho, respeito e
atenção todos os dias do ano!
Desejo a
todas nós mulheres, felizes dias das mulheres durante o ano
todo...simplesmente porque nós merecemos.
SEMPRE UNIDOS!
Ália Mendonça Silva 'País' Brasil!
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