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Nos últimos anos, observamos uma notória hegemonia do paradigma
neoliberal sobre nossa sociedade, que entre outros aspectos,
atingiu de forma incisiva a educação superior. A
universidade brasileira sofre um acentuado processo de
mercantilização. Temos hoje 75% das matrículas nas
instituições pagas, que em sua grande maioria não passam de
empreendimentos comerciais, onde a Educação é uma mercadoria
a ser vendida a um custo mínimo. E nas instituições
públicas, também consumidas pela lógica do mercado, o
princípio da função social da universidade é um conceito que
necessita de resistência para continuar a existir.
A universidade é um dos grandes instrumentos para a libertação do
nosso povo. Perdê-la para os interesses do capital seria um
golpe criminoso no processo de emancipação política, social
e econômica do nosso País. E precisamos, com urgência,
apontar saídas para esse quadro. É necessário que o ensino
superior dialogue com os setores populares, através da
extensão universitária, notadamente a extensão popular. Esse
diálogo deve ser fraterno e horizontal, respeitando-se as
diversidades culturais e relacionando o saber científico com
o saber do povo. Dessa forma, estaremos construindo uma
produção acadêmica socialmente referenciada e uma
universidade protagonista no processo de emancipação das
pessoas.
Além disso, é necessário afirmar que o conhecimento científico
não nos basta. É preciso que os estudantes, através da
extensão, também incorporem o conhecimento popular, lapidado
e construído ao longo de gerações. As tradições populares
são uma grande fonte não só para uma formação mais
humanizada, mas também para preparar os estudantes para os
complexos desafios que a conjuntura social nos impõe. Por
fim, a extensão é fundamental para uma formação crítica.
Através do contato com o povo, passamos a questionar o
modelo neoliberal e os valores individualistas que nos são
impostos pela própria universidade, pelo mercado e pelos
meios de comunicação de massas. A superação do modelo de
Educação bancária e tecnicista que temos hoje no Brasil
passa pela valorização da extensão e da educação popular
enquanto elementos problematizadores de nossa realidade
social.
A universidade brasileira, conforme estabelecido pelo artigo 207
da Constituição Federal, está construída sob a
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Precisamos trazer a extensão popular para o centro da agenda
do movimento estudantil, garantindo a sua existência em todo
o ensino superior e disputando o seu paradigma ideológico em
todas as universidades e estâncias da Educação. E esse é um
desafio que só será consolidado se toda a rede do movimento
estudantil se entender como protagonista desse processo. A
UJE, as UEE’s, os DCE’s e os DA’s precisam pautar a extensão
popular no cotidiano das lutas e fazer dela o elemento
norteador do ensino e da pesquisa.
Falar em função social da universidade sem colocar a
extensão popular como elemento fundamental é navegar em um
conceito vazio. O movimento estudantil precisa reavaliar a
sua atuação, percebendo que a extensão popular deve estar no
pilar central do nosso projeto histórico de universidade.
Derrotar o modelo tecnicista hegemonizado na educação
superior e construir a luta do povo dentro das universidades
a partir da extensão é sem dúvida o grande desafio que está
posto ao movimento estudantil brasileiro
Sempre unidos!
RAFAEL DE CARVALHO OLIVEIRA |