APRESENTAÇÃO: Rafael Carvalho é estudante de Direito, diretor de Coordenação Estudantil da UJE, diretor Jurídico do DCE da Universidade de Uberaba e membro do Instituto Friedrich Naumann. Semanalmente ele escreve para está coluna destacando as ações e acontecimentos que demonstram a importância da juventude e do movimento estudantil.

MEIA-ENTRADA: UM DIREITO

31/12/2007

 

A luta pela conquista, garantia e ampliação do direito do estudante à meia-entrada em atividades culturais, esportivas e de lazer é uma das principais marcas do movimento estudantil desde o início da década de 90.

A compreensão de que a formação do jovem ocorre na escola, mas não só nela, é um dos fatores que impulsiona essa luta. Ter acesso aos bens culturais (cinemas, teatros, shows, exposições, espetáculos de dança, jogos) complementa a educação formal que é dada nas escolas e universidades. A democratização do acesso à cultura, ao esporte e ao lazer ganha relevância ainda maior num país em que a desigualdade social exclui da escola, o que dizer da cultura.

Neste sentido, a UJE e outras entidades de representação estudantil, como a UNE e a UBES tem procurado desenvolver instrumentos e parcerias para difundir a meia-entrada, fazendo com que um maior número de jovens tenham acesso à Carteira Nacional de Identificação Estudantil e, também, agregando outros serviços à carteira, como uma série de convênios que garante aos estudantes descontos nas compras de livros, materiais escolares, etc.

 

Desregulamentação ameaça o direito

Um dos fatores que fortaleciam o direito e garantiam a sua aplicação era o fato de a conquista da meia-entrada ter sido feita mediante a apresentação de uma carteira nacional de identificação estudantil em vários estados brasileiros.

Desde a aprovação da primeira lei de meia-entrada, que essa conquista tem sido questionada e sabotada pelos setores economicamente interessados no lucro das bilheterias e, também, por aqueles que consideram que o estudante carente, da periferia, não precisa ter acesso aos bens culturais. O Ministro da Educação do governo de Fernando Henrique Cardoso, porta-voz destes setores, golpeou o direito conquistado ao editar uma Medida Provisória que desregulamentou as leis existentes, acabando com a existência de uma Carteira Nacional de Identificação Estudantil.

A desregulamentação da lei e o fim da emissão de uma Carteira Nacional facilitam irregularidades e fraudes, como as que aconteceram recentemente em Minas Gerais, onde representantes de três empresas foram presos por falsificar a carteirinha. Manter a vigilância, fazer denúncias das irregularidades, blitz para impedir que o direito seja burlado e desenvolver a luta para que a Medida Provisória seja revogada é um compromisso da UJE com a manutenção e ampliação dessa importante conquista dos estudantes brasileiros.

Meia-entrada é justo, é legal e de direito!

Sempre Unidos!

RAFAEL DE CARVALHO OLIVEIRA