José Leite é Estudante de Direito, Presidente da JN-RO (Juventude Negra de Rondônia) e Tesoureiro da UEE/RO. Residente em Porto Velho no estado de Rondônia, semanalmente ele escreve para está coluna destacando a história, os desafios e as conquistas do movimento Afro no Brasil.

Existem muitas datas esquecidas no calendário brasileiro

23/06/2007

E-mail de contato: joseleite@uje.com.br

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Existem muitas datas esquecidas pelo calendário brasileiro, Embora quase todos pensem tratar-se da data da abolição da escravatura, a Rua 13 de maio (Belém) tem esse nome desde a década de 1840... Portanto antes da Isabel assinar a lei. Ela se chamava rua formosa até, salvo engano, 1839.... E era a rua onde residia a família de Eduardo Angelim (um dos principais lideres militar da cabanagem e presidente da província do grão-pará enquanto esta viveu gloriosos dias - quase 1 ano e meio - de governo cabano). 13 de maio de 1836 é o dia que os mercenários contratados por Pedro II cercam a baia do Guajará, e o dia em que os cabanos se embrenham na mata para poder sobreviver. Os legalistas mudaram o nome da rua formosa para a data do cerco ao governo cabano E isso é manipulação simbólica para massacrar a família Angelim. Como 7 de janeiro de 1835 é o dia que os cabanos saem do murucutu e tomam de assalto a cidade de Belém... Hoje, 07 de junho, 172 anos depois, Eduardo Angelim recebe a justa homenagem de ter a data de sua vitória sobre as elites paraenses como nome da rua onde viveu. Mas nem Toda família negra é um quilombo.Toda família negra é um afronte ao mundo branco racista. A família negra é o maior movimento negro que pode existir. Toda criança negra é uma promessa e a mulher negra a base. A arvore onde junto à raiz nascem flores de belíssimas cores que possuem polem de sonhos. De grandes sonhos.Não serei o visionário de um mundo ordinário onde ressalta a babaquice e os valores doentes ditados por vermífugos frescos e embranquecidos. O que vou fazê-lo ver é a maior riqueza da terra. Venham irmã e irmãos africanos que estão nesse momento passeando apressados pela diáspora. Pensem e vejam comigo. Nos olhos negros da mulher negra, quando ela me deseja, vejo uma luz, um brilho passar. Não é raro ver uma galáxia brilhar nos olhos pretos das pretas.Olhos de sonhos.Quantas vez fui engolido, pela constelação de desejo existente nos olhos da mulher negra?Toda família negra é a prova de que não fomos derrotados.E a mulher negra prova de que Deus existe. Quero sempre conversar com a preta e ouvir a mesma me contar do seu sonho difícil e simples.

-         Diz meu amor qual o seu sonho?-  O que você fez hoje? Sua boca linda é herança africana!-  Opa! Meu coração se embaraçou no seu cabelo crespo! Eu sou o homem preto.Representante de uma dinastia milenar. Lemuriana ou Atlante, kamet, Ashanti.Tenho um nome a zelar e fazer jus à imagem e semelhança de Deus.Por isso rainha ou princesa Núbia não me veras abandonar nossos filhos no tempo sujeito à chuva e trovoada. Não me verás tocar o seu corpo sem que tu queiras.

Não verás me corromper pelo exagero da bebida, da droga e do jogo.Não farei parte da multidão de sonsos que se vendem por trinta moedas. Se tornando escravo mental do homem branco.


José Leite