Diretor de Comunicação do Grêmio Estudantil Gildo Macedo Lacerda durante a gestão 2005, Presidente do Grêmio Estudantil Gildo Macedo Lacerda durante a gestão 2006, membro da Coordenadoria de Mobilização do Centro Acadêmico de Sociologia da UnB no ano de 2007 e membro fundador do MEL - Movimento Estudantil Livre.

O MOVIMENTO tem que estar em MOVIMENTO

23/06/2007

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Muitas pessoas, ao serem abordadas para se discutir política, demonstram um descrédito imenso na política como atualmente esta se apresenta. Não é diferente, obviamente, de um estudante abordado pelo tema “Movimento Estudantil”.

Quantos, nesses meus poucos, mas intensos anos de militância no movimento, já não me disseram que o movimento é farsa, não passa de plataforma política, é palco de minorias autoritárias, entre outras inúmeras acusações. E, até certo ponto, hei de concordar com tais apontamentos. Mas considero não haver maior engano por parte de nós, estudantes, um desânimo que nos bloqueie ao debate e à ação para a defesa de nossa classe.

É evidente – e toda experiência histórica o confirma – que nada nunca foi melhorado sem oposições e sem contraposições de idéias e conceitos. O velho ditado que prega que “duas cabeças pensam melhor do que uma” é algo que carrega em si uma carga de verdade gritante. É preciso SIM que, apesar de todos os eventos negativos e todas nossas desilusões com projetos históricos como a UNE e a Ubes, que nós fomentemos o debate e estejamos sempre a par do que concerne diretamente ao nosso futuro.

Quantos sabem o que é a Reforma Universitária e a Universidade Nova, projetos já em fase de implementação e que afetarão diretamente a vida de milhares de estudantes que pleiteiam uma vaga nas universidades públicas brasileiras? Quantos sabem que, em nosso nome, UNE e Ubes alardeiam apoio a essas reformas? Quantos sabem que uma das maiores aberrações que existe em nosso sistema educacional é a concorrência anormal dos processos seletivos das universidades públicas, enquanto a educação pública e de qualidade é um direito previsto em Constituição?

São questões de importância capital para o nosso futuro e para o futuro da sociedade como um todo e não deve, em momento algum, nos interessar a falta de debate e de conhecimento sobre elas e outras mais que não foram aqui citadas.

E essa será a linha dessa coluna. Instigar o debate e cimentar a idéia de que democracia só existe com participação política. De outra forma a democracia será tão tirânica quanto qualquer outro governo de índole totalitária e seremos reféns do interesse de poucos. Estarei, nesse espaço, sempre aberto às críticas e sugestões dos leitores, esperando ansiosamente que elas venham, pois sem elas será inútil a construção dessa coluna. Que essa troca de opiniões nos ajude a, no mínimo, pensar, o que, considerando o pé em que está a situação, já seria uma grande coisa.