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Muitas pessoas, ao serem abordadas para
se discutir política, demonstram um descrédito imenso na
política como atualmente esta se apresenta. Não é diferente,
obviamente, de um estudante abordado pelo tema “Movimento
Estudantil”.
Quantos, nesses meus poucos, mas intensos
anos de militância no movimento, já não me disseram que o
movimento é farsa, não passa de plataforma política, é palco
de minorias autoritárias, entre outras inúmeras acusações.
E, até certo ponto, hei de concordar com tais apontamentos.
Mas considero não haver maior engano por parte de nós,
estudantes, um desânimo que nos bloqueie ao debate e à ação
para a defesa de nossa classe.
É evidente – e toda experiência histórica
o confirma – que nada nunca foi melhorado sem oposições e
sem contraposições de idéias e conceitos. O velho ditado que
prega que “duas cabeças pensam melhor do que uma” é algo que
carrega em si uma carga de verdade gritante. É preciso SIM
que, apesar de todos os eventos negativos e todas nossas
desilusões com projetos históricos como a UNE e a Ubes, que
nós fomentemos o debate e estejamos sempre a par do que
concerne diretamente ao nosso futuro.
Quantos sabem o que é a Reforma
Universitária e a Universidade Nova, projetos já em fase de
implementação e que afetarão diretamente a vida de milhares
de estudantes que pleiteiam uma vaga nas universidades
públicas brasileiras? Quantos sabem que, em nosso nome, UNE
e Ubes alardeiam apoio a essas reformas? Quantos sabem que
uma das maiores aberrações que existe em nosso sistema
educacional é a concorrência anormal dos processos seletivos
das universidades públicas, enquanto a educação pública e de
qualidade é um direito previsto em Constituição?
São questões de importância capital para
o nosso futuro e para o futuro da sociedade como um todo e
não deve, em momento algum, nos interessar a falta de debate
e de conhecimento sobre elas e outras mais que não foram
aqui citadas.
E essa será a linha dessa coluna.
Instigar o debate e cimentar a idéia de que democracia só
existe com participação política. De outra forma a
democracia será tão tirânica quanto qualquer outro governo
de índole totalitária e seremos reféns do interesse de
poucos. Estarei, nesse espaço, sempre aberto às críticas e
sugestões dos leitores, esperando ansiosamente que elas
venham, pois sem elas será inútil a construção dessa coluna.
Que essa troca de opiniões nos ajude a, no mínimo, pensar, o
que, considerando o pé em que está a situação, já seria uma
grande coisa.
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