Olá pessoal da UJE!
Meu nome é Lizziane, tenho 24 anos, sou estudante de
Biologia (UFRJ, na modalidade de curso á distância) moro em
Rio das Flores, uma pacata e pequenina cidade do interior do
Rio de Janeiro. Foi muito por acaso mesmo que descobri o
trabalho de vcs. Estava eu pesquisando sobre a Banda Queen,
que é uma das minhas prediletas e acabei encontrando vcs.
Achei a iniciativa maravilhosa, adorei os projetos
desenvolvidos e a forma como é trabalhado o jovem. No ano de
2004 (se não me falha a memória) o prefeito de minha cidade
preocupado com a situação dos jovens da cidade em sua
maioria marginalizados socialmente, com baixa escolaridade e
alto índice de gravidez na adolescência, promoveu a 1ª
Conferência Municipal da Juventude a qual foi muito
enriquecedora nela foram escolhidos representantes dos
bairros (eu fui uma das escolhidas) da cidade para que
fossem voz ativa na prefeitura e na implementação de
iniciativas para a melhoria da vida do jovem. As primeiras
reuniões foram muito produtivas. Chegou até haver um show no
fim do ano onde foram arrecadados alimentos não perecíveis
para a população local carente. Pena que não passou disso.
Tudo ficou no papel. A juventude não se uniu ... Foi uma
pena. Hoje trabalho num programa social, como orientadora,
que vcs já devem ter ouvido falar: Agente Jovem, que na
minha opinião é mais um dos programas furados do governos e
que auxiliam muito pouco no crescimento dos jovens como
cidadãos, e não passa de medida protetiva, para angariar
mais votos dos adolescentes. Trabalhando diretamente com
eles, percebo tão qual os adolescentes andam desmoralizados
frente a sociedade e frente á eles mesmos. A maioria não tem
objetivos e sonhos, se sente sem forças e sem degraus para
galgar uma vida descente. Vêem os pais que tem como sentido
de felicidade um emprego na prefeitura (onde a maioria
“finge que trabalha e a prefeitura finge que paga”) e sair
para beber nos finais de semana. Os jovens começam a beber
muito cedo influenciados pelo exemplo dos pais e dos amigos.
As meninas em geral engravidam, em média entre os 15 e 19
anos solteiras, e ao me ver em sua maioria, são carentes não
só na condição social, mas principalmente na carentes
psicologicamente, pois acabam engravidando novamente para
receber de colegas e amigos um afeto que passa logo quando a
criança está maiorzinha. Toda esta situação me entristece
muito pois fui criada no Estado de Minas Gerais (Ouro
Branco) e vivi lá minha adolescência até os 17 anos, e
instituições como a Escola e a Igreja interferiram de modo
fundamental em minha formação social, sem contar minha
família que sempre foi a base disso tudo. Porém lá via os
jovens mais conscientizados e tinham noção dos que eram seus
direitos(reivindicando sempre que necessário os mesmos) e
deveres . Lá participei de lideranças jovens tanto da escola
no Grêmio Estudantil e na Igreja no Grupo de Jovem da
Pastoral da Juventude. Sei que tenho a faca e o queijo na
mão já que trabalho diretamente com adolescentes, mas passei
um ano tentando passar um pouco de encorajamento, mas o que
recebi foi muita preguiça e falta de ânimo por parte deles.
Porém não desisto e sei que um pouquinho do meu trabalho
ficou e eu lancei a semente. Um abraço, a vocês força e
união.