José Tiago é presidente da União dos Jovens e Estudantes do Brasil e é militante em diversas instituições. Residente em Uberaba/MG, semanalmente ele escreve para está coluna destacando temas e assuntos ligados à juventude e movimentos sociais.

O Brasil é enorme e as dificuldades para conscientizar os jovens, também.

02/02/2008

Como de praxe publico mensalmente alguns dos e-mails que recebemos, continuem mandando o próximo a ser publicado pode ser o seu:

Olá pessoal da UJE!

Meu nome é Lizziane, tenho 24 anos, sou estudante de Biologia (UFRJ, na modalidade de curso á distância) moro em Rio das Flores, uma pacata e pequenina cidade do interior do Rio de Janeiro. Foi muito por acaso mesmo que descobri o trabalho de vcs. Estava eu pesquisando sobre a Banda Queen, que é uma das minhas prediletas e acabei encontrando vcs.

Achei a iniciativa maravilhosa, adorei os projetos desenvolvidos e a forma como é trabalhado o jovem. No ano de 2004 (se não me falha a memória) o prefeito de minha cidade preocupado com a situação dos jovens da cidade em sua maioria marginalizados socialmente, com baixa escolaridade e alto índice de gravidez na adolescência, promoveu a 1ª Conferência Municipal da Juventude a qual foi muito enriquecedora nela foram escolhidos representantes dos bairros (eu fui uma das escolhidas) da cidade para que fossem voz ativa na prefeitura e na implementação de iniciativas para a melhoria da vida do jovem. As primeiras reuniões foram muito produtivas. Chegou até haver um show no fim do ano onde foram arrecadados alimentos não perecíveis para a população local carente. Pena que não passou disso. Tudo ficou no papel. A juventude não se uniu ... Foi uma pena. Hoje trabalho num programa social, como orientadora, que vcs já devem ter ouvido falar: Agente Jovem, que na minha opinião é mais um dos programas furados do governos e que auxiliam muito pouco no crescimento dos jovens como cidadãos, e não passa de medida protetiva, para angariar mais votos dos adolescentes. Trabalhando diretamente com eles, percebo tão qual os adolescentes andam desmoralizados frente a sociedade e frente á eles mesmos. A maioria não tem objetivos e sonhos, se sente sem forças e sem degraus para galgar uma vida descente. Vêem os pais que tem como sentido de felicidade um emprego na prefeitura (onde a maioria “finge que trabalha e a prefeitura finge que paga”) e sair para beber nos finais de semana. Os jovens começam a beber muito cedo influenciados pelo exemplo dos pais e dos amigos. As meninas em geral engravidam, em média entre os 15 e 19 anos solteiras, e ao me ver em sua maioria, são carentes não só na condição social, mas principalmente na carentes psicologicamente, pois acabam engravidando novamente para receber de colegas e amigos um afeto que passa logo quando a criança está maiorzinha. Toda esta situação me entristece muito pois fui criada no Estado de Minas Gerais (Ouro Branco) e vivi lá minha adolescência até os 17 anos, e instituições como a Escola e a Igreja interferiram de modo fundamental em minha formação social, sem contar minha família que sempre foi a base disso tudo. Porém lá via os jovens mais conscientizados e tinham noção dos que eram seus direitos(reivindicando sempre que necessário os mesmos) e deveres . Lá participei de lideranças jovens tanto da escola no Grêmio Estudantil e na Igreja no Grupo de Jovem da Pastoral da Juventude. Sei que tenho a faca e o queijo na mão já que trabalho diretamente com adolescentes, mas passei um ano tentando passar um pouco de encorajamento, mas o que recebi foi muita preguiça e falta de ânimo por parte deles. Porém não desisto e sei que um pouquinho do meu trabalho ficou e eu lancei a semente. Um abraço, a vocês força e união.

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