José Tiago é presidente da União dos Jovens e Estudantes do Brasil e é militante em diversas instituições. Residente em Uberaba/MG, semanalmente ele escreve para está coluna destacando temas e assuntos ligados à juventude e movimentos sociais.

Existe participação da juventude para mudar o país?

01/12/2007

Dizer que os jovens não estão trabalhando para construir um país melhor, é um pouco difícil de se afirmar, pois aqueles que estão socialmente integradas na sociedade, como estudantes, sejam nos cursos de formação tecnológica ou superior, participam dentro de uma margem razoável da vida política dentro de suas instituições, prova disso, é que nunca se houve tanto movimento estudantil de nível superior como hoje.

Os jovens se mobilizam, os partidos também, tanto os de direita como os de esquerda, inclusive a chapa tá quente nessas disputas,  que cada vez mais,  amadurecem em seus posicionamentos democráticos.

 Mas você já deve estar aí me criticando, pensando ou dizendo em voz alta que a maioria dos jovens estão abandonados, não pensam em nada e estão anestesiados.

 Bom, isso também é verdade, pois a maioria dos jovens estão fora do ensino superior ou de formação tecnológica, que são os meios sociais propícios para o desenvolvimento da discussão e ação política, ou seja, aqueles que estão fora do processo educacional, também estão fora do processo de formação como cidadão consciente.

 

1+1=2 e jovem fora do lugar de onde jovem deve estar é igual a exclusão.

 

Então temos um contraste no nosso desenvolvimento sócio-cultural, por um lado, um movimento vigoroso feito por aqueles que estão incluídos no processo educacional, e por outro, um quase vazio, onde se encontra a maioria que está à margem deste processo. Ressalto que só não classifico com um total vazio pelo fato existirem inúmeros esforços de  Entidades e ONGs para que a juventude excluída não chegue ao fundo do poço.

 Isso tudo dá uma triste projeção para a nossa sociedade de daqui a alguns anos, pois estamos aumentando ainda mais a separação das camadas sociais, e o pior, estamos criando apenas duas, a primeira, onde se forma a minoria preparada para a participação e comando social, político e econômico, e a segunda, formada pela maioria excluída e comandada pelos interesses de poucos.

 A solução está em o Estado fazer a sua parte, fortificando a educação de base, abrindo vagas no ensino superior e tecnológico.

 E não podemos esquecer da participação efetiva daqueles jovens que fazem parte dos movimentos sociais e políticos, pois eles têm que focar as suas discussões e ações para o desenvolvimento daqueles que tem menos, se não, daqui a alguns anos serão fichinhas os problemas com segurança, moradia, emprego, saúde, transportes, drogas e tantos outros.

José Tiago de Castro

Presidente da UJE-Brasil  -  MSN: uje@uje.com.br

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