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Dizer que os
jovens não estão trabalhando para construir um país melhor,
é um pouco difícil de se afirmar, pois aqueles que estão
socialmente integradas na sociedade, como estudantes, sejam
nos cursos de formação tecnológica ou superior, participam
dentro de uma margem razoável da vida política dentro de
suas instituições, prova disso, é que nunca se houve tanto
movimento estudantil de nível superior como hoje.
Os jovens se
mobilizam, os partidos também, tanto os de direita como os
de esquerda, inclusive a chapa tá quente nessas disputas,
que cada vez mais, amadurecem em seus posicionamentos
democráticos.
Mas você já
deve estar aí me criticando, pensando ou dizendo em voz alta
que a maioria dos jovens estão abandonados, não pensam em
nada e estão anestesiados.
Bom, isso
também é verdade, pois a maioria dos jovens estão fora do
ensino superior ou de formação tecnológica, que são os meios
sociais propícios para o desenvolvimento da discussão e ação
política, ou seja, aqueles que estão fora do processo
educacional, também estão fora do processo de formação como
cidadão consciente.
1+1=2 e
jovem fora do lugar de onde jovem deve estar é igual a
exclusão.
Então temos
um contraste no nosso desenvolvimento sócio-cultural, por um
lado, um movimento vigoroso feito por aqueles que estão
incluídos no processo educacional, e por outro, um
quase vazio, onde se encontra a maioria que está à
margem deste processo. Ressalto que só não classifico com
um total vazio pelo fato existirem inúmeros
esforços de Entidades e ONGs para que a juventude excluída
não chegue ao fundo do poço.
Isso tudo
dá uma triste projeção para a nossa sociedade de daqui a
alguns anos, pois estamos aumentando ainda mais a separação
das camadas sociais, e o pior, estamos criando apenas duas,
a primeira, onde se forma a minoria preparada para a
participação e comando social, político e econômico, e a
segunda, formada pela maioria excluída e comandada
pelos interesses de poucos.
A solução
está em o Estado fazer a sua parte, fortificando a
educação de base, abrindo vagas no ensino superior e
tecnológico.
E não
podemos esquecer da participação efetiva daqueles jovens que
fazem parte dos movimentos sociais e políticos, pois eles
têm que focar as suas discussões e ações para o
desenvolvimento daqueles que tem menos, se não, daqui a
alguns anos serão fichinhas os problemas com segurança,
moradia, emprego, saúde, transportes, drogas e tantos
outros.
José
Tiago de Castro
Presidente da UJE-Brasil -
MSN:
uje@uje.com.br
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